quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ritmos fazem bem a saúde!


Ouvir música faz bem à saúde

Ouvir música faz bem à saúde, apontam médicosCantar pode até não espantar os males, como apregoa a sabedoriapopular, mas a utilização de sons, ritmos e melodias ajuda arestabelecer a saúde de alguns pacientes. É o que garantem médicos dasmais diferentes especialidades, que utilizam a musicoterapia comorecurso terapêutico no tratamento multidisciplinar de inúmerasdoenças, como hipertensão, enfermidades cardiovasculares e até câncer."A musicoterapia é um excelente complemento ao tratamentoconvencional. A técnica não consiste em tocar uma música para opaciente ficar alegre. A proposta é fortalecê-lo emocionalmente paramelhor lidar com os sintomas da doença. Isoladamente, a musicoterapiapode até não curar ninguém, mas promove melhoras no quadro clínico",salienta a psicóloga e musicoterapeuta Cristiane Ferraz Prade, queutiliza a técnica no tratamento de crianças portadoras de câncer.O efeito terapêutico da música, porém, vai muito além do aspectotranqüilizante de uma sonata de Bach ou uma sinfonia de Beethoven.Estudos garantem que a música potencializa a reabilitação de pacientesem casos de doenças degenerativas do cérebro, como Parkinson eAlzheimer, melhora a coordenação motora de deficientes físicos e induza liberação de certas substâncias, como dopamina e serotonina, queproporcionam sensação de prazer e bem-estar.Durante sete anos, o psiquiatra Daniel Chutorianscy coordenou oprojeto Conto com Você - Magia e Encantamento no Hospital InfantilGetúlio Vargas Filho, em Niterói. Segundo ele, a iniciativaproporcionou a redução de 30% no tempo de internação das crianças.Atualmente, ele está à frente do projeto "A Arte de Ver Nascer", emparceria com a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal Fluminense(UFF), na Maternidade Municipal Alzira Reis Vieira Ferreira, emNiterói."A enfermaria de um hospital não tem por que ser um lugar triste edepressivo. Não há nada pior para a recuperação de um paciente do queficar imobilizado em cima de uma cama olhando para o teto. Música é umgrande aliado terapêutico porque estimula imunologicamente oindivíduo. Hospital não deve ser visto como um lugar onde se tratamdoenças e, sim, onde se promove a saúde. E, para a saúde, não há nadamelhor do que boa música", garante Daniel Chutorianscy.Música faz bem ao coraçãoA cardiologista Thamine Hatem é outra entusiasta da utilizaçãoterapêutica da música no pós-operatório de patologias cardíacas. Esteano, ela submeteu 84 crianças, entre 1 e 16 anos, a sessões de 30minutos de musicoterapia. O trabalho mostrou que a música ajuda aregularizar a pressão arterial e a freqüência cardiorrespiratória dospacientes."Normalmente, a música clássica e as canções de ninar são as maisindicadas porque a freqüência cardiorespiratória do paciente tende aacompanhar o ritmo da música que ele está ouvindo. Algumas, em vez dediminuir, até aumentam. A técnica é tão eficiente que, ao reduzir ador e a ansiedade, reduz-se também o consumo de analgésicos esedativos", afirma a cardiologista.Melodia embala pacientesA musicoterapia faz parte do tratamento multidisciplinar da AssociaçãoBrasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR), no Jardim Botânico, há42 anos. Atualmente, a unidade realiza uma média de 750 atendimentospor mês, a uma centena de crianças, jovens e adultos. Segundo amusicoterapeuta Therezinha Jardim, a técnica estimula a reabilitaçãonão só física, mas emocional dos pacientes."A música ajuda os pacientes a se expressarem melhor emocionalmente.Isso alivia as tensões e favorece o convívio social. Em alguns casos,a técnica consegue desviar o foco de atenção do indivíduo da dor e dosofrimento para a alegria e o prazer", afirma Therezinha.O aposentado Wagner Gaspar Toneloto, 55 anos, é um dos mais animadosnas sessões de musicoterapia da ABBR. Ele se recupera de um derramecerebral sofrido há dois meses com a ajuda de chocalhos, pandeiros etamborins. A princípio, imaginava que ficaria deitado numa salaouvindo CDs de música. Mas se enganou."Quando você sofre um derrame, precisa reaprender a fazer praticamentetudo. Se me tornei mais confiante e equilibrado, só tenho a agradecerà musicoterapia. E, quando falo em equilíbrio, me refiro ao sentidoliteral da palavra. Até pouco tempo atrás, não conseguia tomar banhoou me barbear sozinho. Hoje, já tenho até vontade de dançar quandoouço 'Carinhoso' ou 'A Volta do Boêmio'", brinca.Os pais do pequeno Cauê Bezerra de Figueiredo, de apenas 1 ano e meio,também só têm elogios a fazer à técnica. O menino sofre de Síndrome deWest, um tipo raro de epilepsia que afeta geralmente crianças menoresde 1 ano. "Meu filho sempre fica mais calmo e atento quando ouve música. Por mais que não tenha coordenação motora, ele presta atençãoe tenta bater palmas", derrama-se o pai do garoto, o vendedor EduardoBezerra, 31 anos.Atualmente, a ABBR tenta angariar doadores para aumentar em 30% onúmero de pacientes, todos de baixa renda e deficientes físicos, emanter o atendimento àqueles que não têm condições de pagar o preçosimbólico de R$ 5 por sessão.Herbert é padrinho de campanhaA campanha "Entre Nessa Sintonia", promovida pela ABBR, tem umpadrinho famoso: o vocalista dos Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna,que ficou paraplégico depois de sofrer um acidente de ultraleve em2001. Durante a recuperação, foi submetido a sessões de musicoterapiano Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília."Quando estava no hospital, pedia que meus filhos me levassem discos eviolão. Com a música, eu canalizava a atenção para outras coisas quenão fossem a dor que sentia. A música é o remédio mais elevado queexiste", disse, no lançamento da campanha, em setembro.